05 jun 2021

Produtores aproveitam potencialidades dos dejetos suínos na adubação de pastagens e lavouras

O município de Nova Candelária, importante produtor de suínos do Noroeste gaúcho, ao reconhecer o valor dos dejetos resultantes da suinocultura tem aproveitado seu potencial a favor de resultados em áreas de pastagem e lavouras de milho. No ano de 2020 foram terminados/engordados 202.539 suínos por 149 suinocultores integrados, sendo a principal atividade na composição da produção bruta primária do município.

 

Preocupada em promover ações que contribuam com aspectos socioambientais ao mesmo tempo em que estimula a maior produtividade de pastagens e de lavouras, a Emater/RS-Ascar orienta sobre o aproveitamento dos resíduos desta atividade.

Tratamento dos dejetos 

O extensionista da Emater/RS-Ascar Elir Paulo Pasquetti explica que na terminação dos suínos há uma grande geração de dejetos, composto por fezes, urina e água da limpeza e estes passam por um processo de tratamento que consiste na armazenagem e fermentação por um período de 90 a 120 dias em esterqueiras impermeabilizadas para evitar a contaminação do ambiente, especialmente lençóis de água subterrâneos. Esta fermentação tem o objetivo de eliminar os microrganismos causadores de doenças e de acelerar a decomposição da matéria orgânica, deixando os nutrientes dos dejetos disponíveis para serem assimilados pelas culturas quando da sua aplicação no solo, esclarece Pasquetti.

Após o período de armazenagem e fermentação, os dejetos dos suínos estão prontos para serem aplicados como fertilizantes.

Potencial dos dejetos suínos 

As dosagens a serem utilizadas dependem da concentração de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K) e da demanda da cultura em questão. Segundo o técnico da Emater/RS-Ascar pode-se descobrir essa concentração com análise em laboratório ou diretamente nas propriedades usando o densímetro, a partir do qual é calculada a concentração dos nutrientes e definida a dosagem por hectare.

Levantamentos realizados pela equipe municipal da Emater/RS-Ascar indicam uma densidade média de pouco mais de um quilo de NPK por metro cúbico do dejeto. O extensionista da Emater/RS-Ascar, João Alfredo de Oliveira Sampaio, que presta apoio técnico à suinocultura, destaca que esta constatação serve de base para que as orientações técnicas envolvam o manejo dos dejetos nas propriedades com cuidados relativos à redução do volume de água presente neles, como uso de lavadoras de alta pressão e baixa vazão na limpeza das instalações, observação constante na manutenção de bebedouros para evitar vazamentos, regulagem de bebedouros para evitar os desperdícios, cobertura de esterqueiras e cobertura de canais de condução de dejetos.

De acordo com estudos da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia/SC, é possível se chegar a uma concentração de 6,7 kg de NPK em dejetos líquidos suínos por metro cúbico (N 2,8 kg; P2O5 2,4 kg e K2O 1,5 kg). Esta informação é encontrada também no Manual de Adubação e Calagem (2016).

As amostras coletadas em Nova Candelária deram como resultado que cada metro cúbico de dejeto possui em torno de 2,06 kg de Nitrogênio, 1,60 kg de Fósforo e 1,19 kg de Potássio, o que equivale a 4,58 kg de ureia, 3,80 kg de superfosfato triplo e 1,98 kg de cloreto de potássio, enfatiza a equipe. Desta forma, 1 m³ de dejetos de suínos atingiu o valor aproximado de R$ 30,81, se levado em conta o valor comercial dos adubos com esta concentração.

Importância econômica

Outro aspecto destacado pela equipe é de estudos que revelam que um suíno até sua fase de terminação produz em média 770 litros de dejetos, ou seja, 0,77 m³ por cabeça. Se multiplicarmos os 202.539 suínos terminados em Nova Candelária no ano de 2020 por 0,77 m³, temos uma produção anual de 155.955 m3 de dejetos, enfatiza Pasquetti.

Considerando a concentração de NPK nos dejetos, observa-se que o volume anual de dejetos produzidos pela suinocultura em Nova Candelária, corresponde a 14.278 sacas de ureia (45% de N), a 11.882 sacas de superfosfato triplo (42% de P2O5) e 6.186 sacas de cloreto de potássio (60% de Kcl).

Os extensionistas da equipe municipal da Emater/RS-Ascar destacam ainda que se levado em conta o preço médio da saca de ureia (R$ 144), de superfosfato triplo (R$ 160) e de cloreto de potássio (R$ 137), os dejetos oriundo da suinocultura no município representam um valor de R$ 4.804.934,00.

Além disso, o uso da matéria orgânica tem importante interferência na melhoria das qualidades químicas, físicas e biológicas do solo e, consequentemente, na produtividade das áreas. Contudo, é importante que sejam adotadas práticas conservacionistas do solo onde são aplicados estes dejetos para evitar escorrimentos e contaminação de mananciais hídricos.

Estas ações de conhecimento do valor nutricional e comercial dos dejetos líquidos são importantes para que sendo monitorados permitam o uso correto destes sendo utilizados para a reposição da extração pelos cultivos, assim como de ações de aumento da concentração pela avaliação da densidade e manutenção das estruturas de produção dando o destino correto aos dejetos e evitando impactos ambientais

 

Fonte: EMATER/RS.

 

 




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