18 fev 2021

Preço do suíno vivo e relação de troca e insumos



AUTOR(ES)

Especialista em suinocultura

Cândida Azevedo

Zootecnista, MsC Zootecnia, Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens e Editora Grupo de Comunicação AgriNews

Após quedas vertiginosas no preço do quilo do suíno vivo em janeiro, as cotações começaram a se recuperar em fevereiro. De acordo com Marcos Antônio Spricigo, suinocultor e proprietário de frigorífico em Santa Catarina, o recuo intenso foi resultado de uma queda de demanda sazonal em janeiro, somado à uma correria dos suinocultores vendendo animais mais leves.

 

“Agora em fevereiro, houve uma melhora na demanda interna e também nas exportações, depois de resultados negativos em janeiro. Isso, somado à redução do peso dos animais disponíveis nas granjas ajudou a trazer o preço dos animais para cima”, disse Spricigo.

Apesar disso, os valores pagos pelo animal vivo sequer se aproximam do pico atingido em outubro/novembro de 2020, quando o quilo do suíno quase atingiu R$ 10,00, e em contrapartida, a saca de milho e a tonelada do farelo de soja estavam mais em conta do que em fevereiro deste ano.

“A principal preocupação do suinocultor não é a demanda. A gente sabe que a China vai continuar comprando, e que a economia no Brasil está iniciando um processo de retomada, principalmente nos estados do Sudeste. Mas os custos de produção não devem dar alívio. Pelo menos até a chegada do milho segunda safra no mercado, os custos devem seguir altos”, concluiu. 

Relação de troca e insumos em janeiro

Os preços do suíno vivo recuaram em janeiro, enquanto os do milho e do farelo de soja, importantes insumos consumidos na atividade, subiram. Diante disso, o poder de compra dos suinocultores frente ao cereal e ao derivado da oleaginosa caiu frente ao registrado em dezembro de 2020. Vale ressaltar que esse foi o quarto mês seguido de queda no poder de compra do produtor.

Segundo levantamento da Equipe Grãos/Cepea, em janeiro, o preço do milho (Indicador ESALQ/BM&FBovespa) renovou o recorde nominal da série, iniciada em 2004. O baixo estoque brasileiro, a queda na produção, e o preço elevado das exportações do cereal impulsionaram os valores domésticos. Em janeiro, o milho registrou média de R$ 83,65/saca de 60 kg na região de Campinas, forte avanço de 11% frente a dezembro. No mercado de lotes da praça de Chapecó (SC), o cereal foi negociado na média de R$ 87,16/sc em janeiro, aumento de 9,2% frente a dezembro.

No mercado de farelo de soja, as cotações também renovaram o recorde nominal da série, iniciada em 2004, e os preços de janeiro dobraram frente ao observado no mesmo mês de 2020. Com o valor da soja em alta e as demandas interna e externa pelo farelo aquecidas, os preços do derivado se elevaram no Brasil. De dezembro a janeiro, as cotações deste insumo subiram 6,7% em Campinas e 6,1% em Chapecó, com as médias de janeiro a R$ 2.774,78/tonelada na praça paulista e a R$ 2.720,52/t na catarinense.

 

Fonte: Notícias Agrícolas e CEPEA.




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