25 jan 2021

Novas cepas de PSA na China podem ter surgido com uso de vacinas irregulares



AUTOR(ES)

Especialista em suinocultura

Cândida Azevedo

Zootecnista, MsC Zootecnia, Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens e Editora Grupo de Comunicação AgriNews

O novo surto de Peste Suína Africana (PSA) detectado na China pode ter sido desencadeado pelo uso de vacinas irregulares, fontes da indústria, do maior consumidor mundial de carne suína, informaram à agência Reuters. Os casos de infecção, revelados pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês na quinta-feira, foram os primeiros encontrados no país desde outubro.

As autoridades detectaram mais de mil suínos infectados com duas novas cepas em diversas criações da New Hope Liuhe, quarta maior produtora da China. Essas variações — nas quais faltam um ou dois genes-chave que compõem o vírus original da peste — não matam os suídeos como a doença que devastou a suinocultura chinesa em 2018 e 2019, mas causam uma doença crônica que reduz o número de leitões recém-nascidos saudáveis.

Na New Hope, assim como em muitos grandes produtores, os suídeos infectados são sacrificados para evitar a propagação da doença. Sendo assim, na prática, a doença acaba sendo fatal.

Atualmente, o número de infecções é baixo. No entanto, se as cepas se espalharem, elas poderão reduzir a produção de carne suína no país, o maior consumidor e produtor mundial da proteína.

Há dois anos, a PSA dizimou metade do rebanho suíno chinês, que tinha então 400 milhões de cabeças. Os preços da carne suína ainda estão em níveis recorde, e a China está sob pressão para fortalecer a segurança alimentar em meio à pandemia da covid-19.

Pesquisas evidenciaram que a exclusão de alguns genes MGF360 da PSA gera imunidade. No entanto, o vírus modificado não foi transformado em uma vacina porque tendia a sofrer mutações e voltar a um estado prejudicial.

“Você pode sequenciar essas coisas, essas exclusões duplas, e se forem exatamente iguais ao que foi descrito no laboratório, seria coincidência demais, porque você nunca obteria essa exclusão exata (de forma natural)”, disse Lucilla Steinaa, cientista-chefe do Instituo Internacional de Estudos Pecuários (ILRI, na sigla em inglês), em Nairóbi.

Não existe uma vacina aprovada contra a PSA, doença que não afeta seres humanos. Ainda assim, muitos produtores chineses, lutando para proteger seu rebanho, recorreram a produtos não-autorizados, segundo especialistas do setor. Eles temem que as vacinas ilícitas tenham criado infecções acidentais, que agora estão se espalhando.

As novas cepas podem se proliferar globalmente por meio de carnes contaminadas, infectando porcos que são alimentados com restos de comida. O vírus é conhecido por sobreviver por meses em alguns produtos suínos.

 

Fonte: Valor econômico.

 

 

 

 

 




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