27 jan 2022

Exportação recorde não evitou queda de preço do suíno vivo em 2021



AUTOR(ES)

Especialista em suinocultura

Henrique Cancian

Zootecnista e Analista Técnico-Comercial & Mídias Sociais do Grupo de Comunicação AgriNews

O mercado externo se manteve firme no consumo de carne suína no ano de 2021, confirmando o que o setor produtivo já vinha especulando. Tal fato resultou em um novo recorde na exportação desta proteína brasileira. No entanto, em território nacional, mesmo com o aumento no consumo de carne, o desempenho não atingiu os índices desejados por agentes do setor.

Exportação recorde não evitou queda de preço do suíno vivo em 2021

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Com o poder de compra da maior parte da população fragilizado, o aumento na demanda doméstica pela proteína suína foi insuficiente para a sustentação dos preços, o que resultou em queda nos valores tanto da carne quanto do animal vivo. Outros fatores que marcaram o ano de 2021 foram a elevação dos abates e o aumento no custo de produção. Além do forte aumento verificado nos preços do milho e do farelo de soja, principais insumos da atividade, a energia elétrica e os combustíveis também encareceram em 2021.

Mesmo com os problemas logísticos enfrentados por todos os setores e no mundo todo, sobretudo relacionados à falta de contêineres, as exportações brasileiras de carne suína registraram novos recordes em 2021. De acordo com dados da Secex, de janeiro a novembro, o volume embarcado, de 1,03 milhão de toneladas, já é recorde para um ano completo e supera em 2,1% as vendas externas de todo 2020 (que foi de 1,01 milhão de toneladas).

A China continua como o maior parceiro comercial do Brasil, sendo destino de 51,2% de toda carne suína embarcada pelo Brasil, contribuindo para a exportação recorde. Segundo a Secex, de janeiro a novembro de 2021, foram 503,9 mil toneladas escoadas à China, aumento de 7,5% frente ao mesmo período de 2020.

Em termos de receita, o resultado também foi recorde. De janeiro a novembro de 2021, o faturamento em Real aumentou 11,3% frente ao total de 2020, somando R$ 13,05 bilhões, consequência tanto do aumento do volume exportado quanto da desvalorização da moeda nacional frente ao dólar.

Com o baixo poder de compra da população brasileira, as vendas de carne suína no mercado doméstico tiveram forte volatilidade ao longo de 2021. Ainda que o mercado sinalize aumento no consumo, na maior parte do ano, as vendas estiveram desaquecidas e abaixo do esperado pelo setor, segundo agentes consultados pelo Cepea, fator que, somado ao aumento do número de animais abatidos, pressionou as cotações do suíno vivo, dos cortes e das carcaças.

Os valores do suíno vivo têm registrado forte baixa neste mês, devido à combinação de maior oferta de animais e de carne suína e de demanda enfraquecida pela proteína. Assim, conforme indicam dados do Cepea, os preços estão no menor patamar real (valores deflacionados pelo IGP-DI de dez/21) desde agosto de 2018 na maioria das regiões. Quanto aos principais insumos utilizados na atividade, milho e farelo de soja, os valores têm tido alta expressiva em janeiro, devido à combinação de baixa disponibilidade e procura elevada.

Para o animal vivo, na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), na média de 2021, o suíno se desvalorizou 13,4% em relação a 2020, passando de R$ 8,42/kg em 2020 para R$ 7,27/kg no último ano, em temos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de novembro de 2021).

Quanto à carcaça especial suína, os frigoríficos tiveram dificuldades em fazer repasses de preços e relataram baixa liquidez na maior parte do ano. Com isso, de 2020 para 2021, a carcaça especial se desvalorizou 0,4%, passando, em média, de R$ 10,70/kg para R$ 10,63/kg (neste caso, os valores foram deflacionados pelo IPCA de novembro de 2021).

Fonte: Cepea




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