Cenário crítico preocupa suinocultura independente



AUTOR(ES)

Especialista em suinocultura

Cândida Azevedo

Zootecnista, MsC Zootecnia, Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens e Editora Grupo de Comunicação AgriNews

Seguindo a primeira quinzena do mês, a terceira semana de maio registra mais uma queda nos preços dos suínos comercializados no mercado independente, os patamares atingidos frente aos valores do milho e do farelo de soja atingiram níveis críticos em algumas praças.

A terceira semana de maio registra mais uma queda nos preços dos suínos comercializados no mercado independente.

A terceira semana de maio registra mais uma queda nos preços dos suínos comercializados no mercado independente.

 

As vendas de carne suína estão desaquecidas no mercado doméstico desde o início deste mês, segundo informações do Cepea. Isso pressiona as cotações de cortes e carcaças e reduz a demanda da indústria por novos lotes de animais. As exportações da proteína suína, por sua vez, tiveram forte recuo na segunda semana de maio, reforçando o cenário de baixa liquidez.

O receio de novas elevações nas cotações do cereal e a dificuldade de aquisição no mercado spot faz com que suinocultores não consigam segurar animais na granja, ofertando-os a valores reduzidos para escoar a produção.

No estado de São Paulo, segundo o presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira, o preço do animal, no mercado independente, despencou de R$ 6,40/kg vivo para R$ 5,33/kg vivo.

“É o fundo do poço. Com a arroba suína a R$ 100,00 e a saca de milho a R$ 102,72, a relação de troca não permite que uma arroba suína compre uma saca inteira de milho (compra 0,98, quando o ideal é 2,5). Isso é algo inédito, e se perdurar por mais algumas semanas, vai inviabilizar a atividade”, afirmou.

Em Minas Gerais, o mercado também registrou queda no preço do suíno vivo, passando de R$ 6,30/kg vivo para R$ 5,50/kg vivo, queda de 12,7% ante a queda de 21,25% na semana anterior, segundo o consultor de mercado da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais, (Asemg), Alvimar Jalles:

“O valor do suíno em Minas Gerais foi balizado pelo nível de preço da carcaça a nível Brasil, preços são determinados regionalmente pela oferta e procura no país como um todo, o nível de concorrência nacional é um sintoma de equilíbrio ou desequilíbrio. Em Minas, nós já sabemos como as expectativas dos participantes da cadeia se misturam com as ofertas e as procuras reais são inseparáveis,” conclui Jalles.

Para o maior produtor e exportador de carne suína o dia também foi de baixa para o mercado, Santa Catarina, registrou recuo de 7,35%, de R$ 6,80/kg vivo para R$ 6,30/kg vivo. Segundo informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), a situação é preocupante, uma vez que o setor aguarda medidas de apoio do Governo Federal para a facilitação de compras de insumos desde o final de 2020 e ainda não foi atendido.

O Presidente da ACCS, Losivanio Luiz Lorenzi, cobra que as lideranças governamentais façam políticas que incentivem o setor produtivo, já que muitos produtores podem abandonar a atividade por não conseguirem arcar com os custos de produção. “Durante a pandemia nós não paramos. Trabalhamos para abastecer as gôndolas dos supermercados e levamos comida de excelência para o mundo. Ou o governo toma uma atitude ou teremos muitos suinocultores independentes fora da atividade”. 

Considerando a média semanal (entre os dias 13/05/2021 a 19/05/2021), o indicador do preço do quilo do suíno do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve queda de 6,17%, fechando a semana em R$ 6,58.

“Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente queda, podendo ser cotado a R$ 6,27”, informou o reporte do Lapesui.

Para o mercado gaúcho, que negocia os animais no mercado independente às sextas-feiras, a previsão é que esta (21) seja de mais quedas. Na semana passada (14), registrou-se uma queda de R$ 7,40/kg vivo para R$ 7,03/kg vivo, de acordo com o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdeci Folador.

“O problema é que os frigoríficos não querem elevar os preços porque dizem que não vende lá na ponta final. Está difícil”, pontua Folador.

 

Fonte: Notícias Agrícola, CEPEA e Redação SuínoBrasil.




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